Por Nelson Moraes Rêgo, Juiz de Direito e
Bacharel em Teologia
Por iniciativa do Conselho Nacional da Justiça (CNJ) o Poder Judiciário brasileiro vive, com a semana da conciliação (de 07 a 11.12.2009), um momento singular com imensos reflexos nos processos que envolvem direitos disponíveis e outros que permitem a solução transacionada. Espera-se concientizar a população para as vantagens oriundas da solução por este mecanismo, dito alternativo, à prestação jurisdicional. No Maranhão o objetivo é alcançar 7 mil acordos em audiências que estão sendo realizadas nas varas cíveis, de família e nos Juizados Especiais nas 55 comarcas, 68 varas e 27 juizados que aderiram a tal desiderato de tentar alcançar o maior número possível de acordos.
A conciliação, mediação, negociação empresarial e a arbitragem são mecanismos alternativos de solução de conflitos (MASCs). Na língua de amplitude universal denomina-se Alternatives Disputes Resolutions (ADRs), os quais tem imensa aplicação na Europa e EUA, onde a conflituosidade apenas em uma minoria, é carreada ao Poder Judiciário. Aqui no Brasil, por ainda não existir uma cultura de conciliação, tais mecanismos de solução de litígios ainda são muito pouco utilizados. Fala-se que até 95% dessa conflituosidade vai diretamente para a “Justiça togada”, enquanto que nos paises de primeiro mundo é justamente o contrário. Este contraste permite a ilação de que algo está errado com a Justiça brasileira, sobremodo se atentarmos para o acervo de processos existentes, no ano de 2008, em todo o Judiciário nacional, cerca de 67,5 milhões de processos (dados extraidos do “justiça em números” : www.cnj.jus.br