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25/03/2011 18h21
( IN ) CIVILIDADE DE UM POVO

   

São Luís – MA, 25.03.2011.

                                               *José Ribamar D’Oliveira Costa junior

 

            Para que determinado povo alcance um alto nível de civilidade, não resta dúvida, necessário se faz que tenha também um bom nível de educação e cultura. Uma coisa está diametralmente atrelada à outra, sendo elas de fundamental importância para proporcionar um bom convívio social.

            Já de há muito tempo São Luís do Maranhão não vem fazendo jus à titulação de “Atenas Brasileira”. Não sei bem dizer de onde surgiu essa honraria, mas o fato é que estava vinculada à grande expressão de nossos poetas/escritores e intelectuais de outrora, e de ser o maranhense de então conhecido, de um modo geral, por falar um bom português.

            O certo é que, apesar do incremento das políticas públicas para se colocar as crianças do nosso Brasil em salas de aula, o nível de escolaridade ainda é muito baixo, principalmente nas escolas públicas do Maranhão. Na zona rural então é uma lástima, onde quase a maioria dos concludentes do ensino fundamental, na verdade são analfabetos funcionais, não tendo capacidade de compreender um texto que porventura consiga ler.

            Grande parte desse problema está atrelada à malfadada corrupção que assola o nosso país como uma praga endêmica, uma vez que o dinheiro público oriundo da altíssima carga tributária ( dinheiro do povo ) é desviada de seu destino natural               ( benefício do povo ) para engordar a conta bancária de maus políticos e/ou financiar campanhas eleitorais, sem falarmos nas demais instituições. Ressalte-se que o nosso atual sistema político é perverso e muito contribui para esse estado de coisas, ocasionando constantes prejuízos à sociedade como um todo. Precisamos de uma reforma política ampla e eficaz, e de forma URGENTE!!!

            Contudo, não me proponho neste singelo artigo a me aprofundar sobre as questões das reformas que precisam ser implementadas no Brasil, para melhorar a nossa qualidade de vida, mas tão-somente externar o meu desapontamento com o grau de ( in ) civilidade de nosso povo, em determinadas situações.

            Pois bem, para ilustrar, observa-se que no final do ano próximo passado, quando eu fazia caminhada pelo calçadão da litorânea, ao passar por duas mulheres - uma jovem senhora e uma adolescente, parecendo mãe e filha - que também se exercitavam na nossa bela orla marítima, ouvi sem querer a mais velha falar à sua acompanhante que o povo daqui era mal educado e que urinava na rua. Aquilo me doeu na alma, e confesso que quase que por instinto esbocei intercedê-las para tomar satisfação, mas logo caí na real e continuei com a minha caminhada, relembrando as nossas anomalias sociais: educação, saúde e segurança muito deficitárias; a falta de banheiros públicos e gente urinando nas ruas, é verdade, como conversavam as supostas visitantes; praças e ruas depredadas; praias poluídas; atendimento desqualificado no comércio em geral, e etc.

             Com efeito, para se ter uma idéia, dia desses fui descer pelas escadarias da Praça Benedito Leite ( do antigo Hotel Central ) com destino ao “Reviver”, deparei-me com fezes de gente nos degraus, e como já estava no meio tive de passar com a cabeça erguida e tampando as narinas ( correndo o risco de cair ), tal era o odor que exalava daquela cena fétida.

            Isso não é tudo. Também se verifica um alto índice de poluição sonora, tanto de bares inadequados para promoverem eventos musicais ( instrumentais ou mecânicos ), como de som automotivos nos lugares públicos. E como se não bastasse, é recorrente a infração de trânsito de nossos motoristas ao abusarem das buzinas de seus veículos, inclusive para chamar a atenção de outros que param em fila dupla, principalmente, em portas de escolas, em total desrespeito com quem vem atrás e precisa passar. Aí já deu para imaginar: o inferno está formado. E pobre dos transeuntes e moradores que são obrigados a suportar a barulheira infernal cotidianamente na hora do almoço, como acontece aqui no Bairro do Renascença, próximo a uma conceituada escola particular, sem que nenhuma providência seja tomada por quem de direito.

          O fato é que, apesar do grande potencial, não estamos preparados para receber os turistas que por aqui aportam e muito menos para propiciar qualidade de vida mais digna aos cidadãos destas paragens. E com isso estamos perdendo um grande nicho de fonte de renda com a indústria do turismo, que nos Estados vizinhos do nordeste está bem mais estruturada.

            Na verdade, precisamos tomar um banho de civilidade, mas também se precisa de maior atenção e vigilância por parte do poder público para que o império da lei, da moral e dos bons costumes se sobreponha em relação aos infratores, para que possamos viver com um mínimo de dignidade num meio ambiente relativamente saudável. Pois, como nos disse Thomas Hobbes: O homem é o lobo do homem, em guerra de todos contra todos.      

 *Juiz de Direito e membro da AVL – Academia Vianense de Letras.


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