Sara Fernanda Gama
Juíza de Direito
Esta semana duas notícias monopolizaram a mídia nacional, uma delas, de caráter pomposo, o casamento de um membro da família real inglesa, Príncipe Willian, com a plebéia Kate Middleton, a qual se tornará Princesa, com o efeito de despertar a fantasia existente no imaginário popular feminino, fazendo tornar fato, algo que lembra conto de fadas.
Seria lindo embarcar no sonho se não fosse a dura realidade de outra notícia, tratando de tristes fatos envolvendo o destino bem distinto de outra mulher, esta na mais tenra idade: “Vitória”, como está sendo chamada pela equipe de saúde do hospital onde se encontra.
Trata-se de um bebê, recém-nascido, abandonado pela mãe em uma caçamba de lixo, em Praia Grande, no litoral de São Paulo.
Realidades distintas... Mazelas da humanidade!
Destinos tão diversos levam a questionamentos óbvios e cheios de “porquês”. Estaríamos predestinados, desde o nascimento, a uma determinada sorte, uns para a nobreza, outros para a pobreza?
Pergunta de difícil resposta, quiçá não dizer impossível, afinal, existem verdades reservadas ao Pai, segundo consta em sua palavra, no livro de Deuteronômio, capítulo 29, versículo 29: “as coisas encobertas são para o Senhor, nosso Deus; porém as reveladas são para nós e para nossos filhos, para sempre, para cumprirmos todas as palavras desta lei.”
Enlevada nessas indagações e motivada pelo espírito bravio de sobrevivência que renova dia-a-dia a nossa força interior, recordo os registros do filósofo Jean-Paul Sartre, que afirmava: "Não importa o que fizeram de mim, o que importa é o que eu faço com o que fizeram de mim..."
Nessa esteira de pensamentos, o coração se inunda com a esperança absoluta de que, predestinados ou não, temos parcela de participação na construção de nossa história, podendo mudar seu curso, buscando ter pensamentos e atitudes que, mesmo distantes de nos conferir um título da nobreza, buscam traduzir valores e alcançar resultados nobres.
Como dizia Cora Coralina, “me esforço para ser melhor a cada dia, pois bondade também se aprende." !